Banda de música Primeiramente, é preciso lembrar que até início dos anos oitenta ?banda?, na área da música, segundo o Dicionário de Música (Zahar Editores ? 1985), tradução da primeira edição inglesa de 1982, era: ?Conjunto de instrumentos de sopro e percussão associado originalmente à música militar. No Brasil, entretanto, impõe-se a distinção entre as bandas civis e militares. A diferença, no caso, é basicamente institucional. As bandas militares, de formação variada atendem às necessidades da caserna. Já as bandas civis se transformaram em instituição de importância ímpar na vida musical, social e cultural do interior brasileiro. Têm, em geral, registro em cartório, sede própria, diretoria, estatutos, escolinha de instrumentistas, arquivo de grande valor musicológico, perpetuando gêneros abandonados pela música comercial ? polcas, maxixes etc. ? e os compositores locais. Participam da vida da comunidade, tocando em festas, enterros, solenidades; e desempenham, no interior, a função ocupada pelos conservatórios nas cidades. Apresentam-se geralmente com flautim, flauta, requinta, clarineta em sim bemol, sax alto e tenor,raramente barítono, saxhorn, contrabaixo em mi bemol e si bemol, trombones, bombo, caixa clara, surdos e pratos. As bandas militares, quando chegam ao seu máximo desenvolvimento, denominam-se às vezes ?banda sinfônica?, caso em que incorporam oboés, fagotes, vários gêneros de clarineta e em que são capazes de executar qualquer tipo de repertório. Resumidamente, mais ou menos, era essa também a definição fornecida pelos principais dicionários lingüísticos. Entretanto, do início dos anos oitenta para cá, banda passou a ser qualquer conjunto musical, e a banda de antes deixou de ser considerada em alguns dicionários. Conquanto seja a escola de música mais presente no interior do Brasil, a banda não conta a proteção que merece do poder público, e teve que, a partir de então, usar a extensão ?de música? para se diferenciar dos demais grupos e conjuntos musicais. Entre instrumentistas e demais pessoas envolvidas com bandas de música corre a suspeita de que a apropriação do termo é parte de campanha, meio subliminar, para retirar do imaginário popular a figura da banda tradicional; coordenada, não pelos grupos musicais, novos usuários do termo, mas por outros interessados por trás do marketing em torno da cultura popular, nem sempre de raízes nacionais. Como diz o próprio Dicionário de Música, já referido, a importância da banda, como instituição, transcende o aspecto músico-cultural, para se revestir do aspecto social. Por meio da banda de música muitos talentos se revelam, melhores cidadãos se formam e, não raro, dentre seus instrumentistas surgem lideranças importantes para a comunidade. Jovens em situação de risco social podem encontrar nela caminho seguro, onde superar suas angústias e realizar auto-afirmação.
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